Política

Gladson inicia campanha ao Senado e manda recado após questionamentos jurídicos: “Sou candidato”

Ex-governador do Acre reafirma candidatura ao Senado no primeiro dia de campanha eleitoral; registro enfrenta pedido de impugnação da Procuradoria Regional Eleitoral após condenação no STJ.

Gladson inicia campanha ao Senado e manda recado após questionamentos jurídicos: “Sou candidato”

Com o início oficial da propaganda eleitoral das Eleições 2026, o ex-governador do Acre Gladson Cameli (PP) reafirmou neste domingo (16) que está na disputa por uma das duas vagas do estado no Senado Federal.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Cameli marcou o início de sua campanha e pediu apoio dos eleitores, ao mesmo tempo em que reagiu às dúvidas levantadas nos últimos dias sobre a situação jurídica de sua candidatura.

Encontro de líderes em pré-campanha
Encontro de líderes em pré-campanha - Imagens de instagran

“Oficialmente hoje estamos começando a campanha eleitoral e, mais uma vez, nós vamos estar lado a lado”, declarou.
O início da movimentação ocorre exatamente na data prevista pelo calendário eleitoral. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a propaganda nas ruas e na internet passou a ser permitida a partir deste domingo, 16 de agosto.

“Se eu estou aqui, é porque sou candidato”
No pronunciamento, Gladson também afirmou que pretende usar a campanha para combater informações que considera falsas sobre sua participação nas eleições.

“A partir de hoje estão liberadas as campanhas nas ruas e na internet, e aqui é o nosso primeiro desafio: combater as fake news sobre a minha candidatura. E, se eu estou aqui, é porque sou candidato”, afirmou.
O ex-governador já havia adotado discurso semelhante após a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) no Acre ingressar com pedido para que a Justiça Eleitoral rejeite o registro de sua candidatura.

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Na ocasião, Gladson afirmou que continuava na disputa e que buscaria judicialmente o direito de concorrer ao Senado.
Candidatura está registrada, mas enfrenta disputa jurídica
O prazo para registro das candidaturas nas Eleições 2026 terminou no sábado (15). Gladson Cameli aparece entre os oito nomes apresentados para concorrer às duas vagas do Acre no Senado.

A existência do registro, entretanto, não encerra a discussão sobre sua elegibilidade.
A Procuradoria Regional Eleitoral pediu o indeferimento da candidatura, alegando que a condenação de Gladson no Superior Tribunal de Justiça se enquadra nas hipóteses de inelegibilidade previstas na Lei Complementar nº 64/1990, conhecida como Lei da Ficha Limpa.
O pedido deverá ser analisado pela Justiça Eleitoral. Portanto, neste momento, é importante distinguir o registro da candidatura da decisão definitiva sobre sua validade jurídica.
Condenação no STJ está no centro da discussão
Em maio deste ano, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça condenou Gladson Cameli a 25 anos e nove meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações.
O STJ também estabeleceu multa e indenização ao Estado do Acre no valor de R$ 11,785 milhões.

Segundo o próprio STJ, a condenação ocorreu no âmbito da Ação Penal 1.076, relacionada às investigações da Operação Ptolomeu. A defesa de Gladson negou as acusações durante o processo e contestou a validade de provas utilizadas na investigação.
A decisão ainda não é definitiva, e o ex-governador anunciou que pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal.
No âmbito eleitoral, porém, a PRE sustenta que uma condenação por órgão judicial colegiado pelos crimes apontados seria suficiente para aplicação das regras de inelegibilidade, mesmo antes do trânsito em julgado. A Procuradoria também argumentou que, até o pedido apresentado em 13 de agosto, não havia decisão suspendendo os efeitos eleitorais da condenação.
Caberá à Justiça Eleitoral decidir sobre esse ponto.

Disputa ocorre em cenário eleitoral apertado
Além da batalha jurídica, Gladson entra na campanha em uma das disputas mais competitivas do Acre.
Levantamento da Real Time Big Data realizado entre os dias 22 e 25 de julho colocou o ex-governador com 25% das intenções de voto consolidadas para o Senado. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número AC-01069/2026.
Uma pesquisa posterior, da AtlasIntel/AC24horas, realizada entre 28 de julho e 2 de agosto, apresentou cenário mais equilibrado: Márcio Bittar apareceu com 20,6%, Gladson Cameli com 18,5% e Mara Rocha com 18,1%. Os três estavam tecnicamente empatados dentro da margem de erro de três pontos percentuais.

Como em 2026 o Acre elegerá dois senadores, o eleitor poderá escolher dois nomes para o cargo. Ao todo, oito candidaturas foram apresentadas para a disputa no estado.
Gladson tenta voltar ao Senado
A disputa também representa uma tentativa de retorno de Gladson Cameli ao Congresso Nacional.

Antes de assumir o governo do Acre, ele já exerceu mandato de senador. Eleito em 2014, recebeu 218.756 votos e chegou ao Senado tendo Mailza Assis como primeira suplente. O próprio Senado mantém o registro de seu mandato parlamentar.

Depois, Gladson foi eleito governador do Acre em 2018 e reeleito em primeiro turno em 2022, quando recebeu 242.100 votos, equivalentes a 56,75% dos votos válidos.
Neste ano, deixou o comando do governo estadual para viabilizar sua candidatura ao Senado.

Agora, com a campanha oficialmente nas ruas e nas redes sociais, Gladson tenta transformar sua força eleitoral em uma nova passagem pelo Senado, enquanto sua candidatura segue acompanhada de perto pela Justiça Eleitoral.
O primeiro turno das Eleições 2026 está marcado para 4 de outubro.

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