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Ibovespa cai 1,42% e fecha no menor nível desde janeiro após pressão sobre Petrobras e Vale

Mercado acionário brasileiro recuou em meio à cautela sobre a política econômica do novo governo e às expectativas para a decisão do Copom

Ibovespa cai 1,42% e fecha no menor nível desde janeiro após pressão sobre Petrobras e Vale

O Ibovespa encerrou a sessão desta terça-feira (3) em queda de 1,42%, aos 165.528,92 pontos, segundo os dados informados na pauta. Foi o menor fechamento do índice desde 19 de janeiro. Durante o pregão, o indicador chegou a 164.446,53 pontos, enquanto a máxima foi de 168.005,46 pontos. O volume financeiro somou R$ 42,62 bilhões.

A baixa foi influenciada principalmente pelo recuo das ações da Petrobras e da Vale, além da cautela dos investidores com as perspectivas para a política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme o material, o Ibovespa fechou em queda em todas as sessões desde a reeleição do presidente, em 25 de outubro. No último pregão antes do resultado das urnas, o índice estava acima de 205 mil pontos.

Investidores aguardam definições sobre o novo ministério, especialmente sobre o comando da área econômica, e sinais a respeito da política fiscal. Estrategistas do BTG Pactual reduziram o risco da carteira recomendada para novembro e afirmaram que os mercados esperam medidas capazes de reduzir o ritmo de crescimento das despesas.

O banco avaliou que não são esperados ajustes estruturais nas contas fiscais, mas que medidas menores poderiam contribuir para estabilizar o mercado e os juros de longo prazo. O BB Investimentos, por sua vez, ponderou que o desconto do Ibovespa em relação aos mercados emergentes não garante, isoladamente, uma recuperação sustentada.

Também repercutiu entre os agentes financeiros a informação, posteriormente negada por integrantes do governo, de que Lula teria se reunido com André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. O economista defendeu recentemente um regime monetário que incluiria redução gradual da taxa Selic e o uso de parte das reservas internacionais para conter pressões sobre o real.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a proposta tem deficiências e não está em discussão no governo. Segundo os dados da pauta, Durigan também disse que as futuras nomeações para a diretoria do Banco Central serão feitas com rigor técnico e diferentes perfis.

A pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central mostrou elevação das projeções para a Selic. A estimativa para o fim do ano passou de 13,25% para 13,50%, enquanto a previsão para o fim de 2027 subiu de 11,75% para 12,50%. Para a decisão do Copom prevista para quarta-feira, a maioria das estimativas reunidas em pesquisa da Reuters apontava manutenção da taxa em 13,75% ao ano.

No mercado de câmbio, o dólar à vista subiu 0,74%, para R$ 5,4863. O real teve um dos piores desempenhos entre uma cesta de moedas globais na sessão, de acordo com o material informado. A cautela esteve relacionada às dúvidas sobre a agenda econômica do novo governo e à decisão de juros do Banco Central.

Entre as ações de maior peso no Ibovespa, Petrobras PN recuou 3,79% e Petrobras ON caiu 3,65%. O desempenho ocorreu em meio à queda dos preços do petróleo: o Brent encerrou o dia a US$ 103,60, baixa de 1,12%, após ter recuado 7,6% na sessão anterior.

Vale ON perdeu 2,85%, acompanhando a desvalorização dos contratos futuros de minério de ferro na China. Embraer ON avançou 4,24%, após a companhia anunciar um contrato para a venda de três cargueiros KC-390 Millennium à Grécia, com opção de compra de outras três unidades.

Itaú Unibanco PN caiu 0,48% antes da divulgação do balanço. Bradesco PN recuou 2,02%, Banco do Brasil ON perdeu 1,70% e BTG Pactual Unit caiu 1,05%. Santander Brasil Unit avançou 2,26%.

Cogna foi a principal queda entre os destaques citados, com baixa de 12,66%, após analistas do Citi reduzirem a recomendação dos papéis para venda e cortarem o preço-alvo de R$ 2,50 para R$ 1,20. Yduqs ON subiu 1,23%. TIM ON avançou 1,46% em meio às expectativas sobre uma possível venda da companhia no Brasil.

No exterior, o S&P 500 fechou em alta de 0,36%, enquanto investidores acompanhavam as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos e seus possíveis efeitos sobre o controle do Congresso norte-americano.

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