Política

Jovens no Acre cobram mais diálogo e linguagem clara dos políticos

Entrevistas realizadas no Centro de Rio Branco apontam críticas à polarização, à falta de políticas públicas e à dificuldade de acesso às propostas dos candidatos.

Jovens no Acre cobram mais diálogo e linguagem clara dos políticos

Jovens entrevistados pelo ac24horas relataram insatisfação com a forma como políticos e candidatos se comunicam com a juventude. As entrevistas foram realizadas nas ruas do Centro de Rio Branco, em uma iniciativa que buscou aprofundar a relação dos jovens com a política após uma reportagem anterior sobre a resistência em falar do tema.

Entre as principais queixas estão a falta de diálogo, a ausência de políticas públicas específicas, a polarização e a dificuldade de compreender as propostas apresentadas pelos candidatos.

A agricultora Jeane de Souza afirmou que não tirou o título de eleitor por causa da corrupção e da falta de atenção dos políticos com os jovens. Segundo ela, muitos procuram direitos e não encontram respostas, o que contribuiu para sua decisão de não votar.

A vendedora Liticiane da Silva disse que se sente contemplada pela política atual e citou o programa Pé-de-Meia, benefício que recebeu quando estudava. Para ela, a iniciativa incentiva a permanência dos jovens na escola. Apesar de demonstrar interesse pelo tema, afirmou que ainda não tirou o título por falta de tempo.

O operador de caixa Fernando Edgar contou que deixou de votar aos 22 anos porque não se sentia ouvido. Na avaliação dele, os candidatos deveriam criar canais de comunicação para explicar o funcionamento dos partidos e da política aos eleitores que votam pela primeira vez.

O estudante Samuel de Souza, de 15 anos, ainda não tem título de eleitor e declarou não ter interesse pela política. Ele afirmou que muitos políticos fazem promessas que não cumprem e que, embora alguns conversem com os jovens, a maioria não consegue entender o conteúdo apresentado.

A designer de sobrancelhas Ana Paula apontou a falta de uma linguagem específica para o público jovem e mencionou o abandono de projetos sociais e culturais. Ela citou o antigo Cacimbão como um espaço de convivência que, segundo seu relato, deixou de existir ou perdeu força com o tempo.

Para o vendedor João Oliveira, o interesse dos jovens depende de informação, não de imposição. Ele defendeu que os candidatos expliquem suas funções, propostas e responsabilidades, permitindo que os eleitores façam suas próprias escolhas.

O estudante Caio Andrei criticou a repetição dos discursos políticos e afirmou que a polarização tornou as conversas sobre partidos e candidatos mais agressivas. Na visão dele, o receio de conflitos afasta os jovens do debate.

A estudante Gabriely Rodrigues disse que votou no primeiro turno e pretende voltar às urnas no segundo, mas reclamou da falta de opções e da preferência de parte do eleitorado por candidatos já conhecidos. Ela também avaliou que muitos eleitores apoiam seus candidatos mesmo quando discordam de suas atitudes.

Já a estudante Geovane Almeida afirmou que seu interesse pela política surgiu por influência da família. Ela percebe que o tema era mais debatido entre os jovens no passado e criticou a preocupação exclusiva com a manutenção de benefícios sociais, em vez de projetos de longo prazo.

O estudante Pedro Aguiar resumiu a expectativa apresentada por parte dos entrevistados: ser ouvido pelos candidatos, em vez de receber apenas promessas. Os depoimentos, conforme a pauta informada, indicam uma demanda por comunicação mais acessível, participação e políticas públicas voltadas à juventude.

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