O presidente da Argentina, Javier Milei, reconheceu nesta terça-feira (4) que a pobreza voltou a subir no país no primeiro trimestre de 2026. Segundo estimativas baseadas em microdados da Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH), do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), o índice teria alcançado 30,7%, ante 29,9% no trimestre anterior.
Apesar da piora recente, Milei afirmou que a situação atual ainda representa uma melhora em relação ao início de seu governo, quando a pobreza chegou a cerca de 57%. O presidente declarou que a economia mantém uma trajetória positiva, com crescimento, queda da inflação e redução do indicador de pobreza no período mais amplo de sua gestão.
Ao comentar os números, Milei reconheceu a gravidade do cenário social. “O panorama é horrível, mas a tendência geral continua excelente”, afirmou. De acordo com o jornal argentino La Nación, cerca de 600 mil pessoas teriam entrado em situação de pobreza nos primeiros três meses deste ano.
O presidente argentino também voltou a defender sua política de austeridade, baseada na redução dos gastos públicos, dos subsídios e na contenção das despesas com o funcionalismo. Milei afirmou que o ajuste sobre o Estado é parte central do modelo econômico implementado desde o início de seu mandato.
A situação econômica da Argentina também ganhou espaço no debate político com o Brasil. Nas últimas semanas, integrantes do governo Lula e Milei trocaram críticas sobre o desempenho das duas economias, em meio às divergências políticas entre os governos de Buenos Aires e Brasília.