O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que acusou o Brasil de adotar “práticas desleais” prejudiciais a empresas e exportadores norte-americanos. A decisão ocorre após meses de negociações entre os dois países e era aguardada pelo governo brasileiro.
Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4 mil produtos brasileiros podem ser afetados pela nova tarifa, com impacto estimado em US$ 14,9 bilhões nas exportações para os Estados Unidos. Café e carne bovina, no entanto, devem ficar fora da cobrança, embora a lista completa de exceções ainda não tenha sido divulgada. O USTR citou temas como comércio digital, tarifas preferenciais, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal para justificar a medida.
O governo brasileiro considera que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos carecem de base técnica e têm viés político. Além da tarifa de 25%, Brasília ainda aguarda a conclusão de outra investigação que pode impor uma taxa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, relacionada a acusações de trabalho forçado. Caso a medida seja aprovada, setores da indústria poderão enfrentar tarifas de até 37,5% para acessar o mercado norte-americano.